Quarta-feira
Dez092009

Emagrecimento: prazer ou desprazer?

Magreza? É beleza? Objetivo a ser alcançado? Busca obstinada por um corpo ideal? Anorexia? Bulimia? A que ponto se chega para ter o corpo "perfeito"?

Parece que nos dias de hoje essa obsessão pela magreza cada vez mais se intensifica. E isto não acontece somente a partir da adolescência, quando a preocupação com o corpo é grande.

Desde a infância já observamos crianças, que estão no peso normal, preocupadas com o corpo, olhando-se no espelho repetidas vezes, medindo o tamanho do abdome, comparando-se com outras crianças e dizendo que precisam fazer uma dieta severa porque estão "gordas".

A anorexia e a bulimia são transtornos alimentares, que não acontecem apenas com meninas. A busca pelo corpo "ideal" também se dá no sexo masculino. Nos meninos, geralmente, aparece a preocupação com os músculos, ou seja, é preciso ser forte a qualquer preço e isso significa, muitas vezes, a ingestão de anabolizantes, que podem prejudicar a saúde.

O que predomina nestes casos é uma distorção da imagem corporal. Na anorexia, por mais que a pessoa esteja magra, ela não se vê desta forma e acha que precisa perder mais peso. Na bulimia, tudo o que é ingerido necessita ser colocado para fora, a fim de que não se corra o risco de engordar. Vomitar acaba se tornando automático para as pessoas que sofrem deste transtorno.

Na ânsia de serem magras, as pessoas acabam se destruindo, pois maltratam o corpo de tal forma que podem chegar à morte. Trata-se de uma anulação de si mesmas.

Como lidar com estes transtornos? Será que têm solução?

Acreditamos que é preciso um trabalho multidisciplinar que envolva médico, psicólogo e nutricionista. A participação da família é muito importante, pois é a base para uma mudança efetiva do paciente. Neste momento difícil, tanto a família como o paciente precisam ser apoiados.

Saber o que está por trás destes transtornos, os conflitos, as angústias é um dos caminhos para a solução dos mesmos. Este caminho significa psicoterapia e é através dela, que as pessoas têm um espaço para falar de seus problemas, descobrir as causas deles e, consequentemente, resolvê-los.

O psicólogo além de conduzir a psicoterapia, deve também trabalhar com a família para orientá-la já que, frequentemente, esta não se dá conta da gravidade da situação.

É preciso ficar atento para as idas constantes ao banheiro, principalmente após a alimentação, as recusas em participar das refeições com a família, a magreza excessiva e a procura de sites na Internet, que encorajam estes comportamentos. Estes são sinais de alerta, que não devem ser negligenciados.

Enfim, o processo de emagrecimento deve ser feito de uma forma sensata, com saúde, para que não se transforme em desprazer.

Ana Lucia Autran