Quinta-feira
Jun022011
OXI: Uma Nova Droga, Um Velho Problema.
A droga OXI é nova, mas a busca por um mundo ideal, sem frustrações e angústia é antiga.
O poder ilusório das drogas é altamente sedutor. Abre magicamente uma realidade paralela de cores, sensações e ausência de dor, mesmo que momentâneas.
Mas o impacto com a realidade é inversamente proporcional. Muitas são as perdas, sofrimento, incapacidade gradativa de discernimento e raciocínio. A realidade e o imaginário produzido pelas drogas se fundem e o dependente perde completamente a noção de tempo, de espaço, de valores e de moral.
Atualmente encontramos na mídia manchetes assustadoras:
“Uma nova e devastadora droga se espalha pelo país”
“Mais barata e mais potente do que o crack” é o OXI.
A palavra OXI vem de oxidar: a pasta de cocaína, diluída em ácido sulfúrico e clorídrico, misturados com cal virgem, gasolina ou querosene, realiza uma transformação química oxidando o produto em forma de pedra.
Por ser uma droga inalada na forma de fumaça, como o crack, chega mais rápido ao cérebro e por isso tem um alto potencial alucinógeno, produzindo no usuário, o dobro de euforia provocada pela cocaína.
Além de possuir 80% de concentração de cocaína (duas vezes mais que o crack), o que torna o OXI ainda mais nocivo é sua composição mais “suja” e, portanto, mais agressiva ao organismo: é possível encontrar ingredientes como cimento, acetona, amônia e soda cáustica.
O risco de overdose é grande: convulsão, parada respiratória, parada cardíaca, coma e morte. O declínio físico do dependente de OXI é devastador: infarto, dano cerebral, doença hepática, pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral, câncer de garganta, de traqueia, além de danificação e até perda dos dentes.
Acompanhando esse cenário estão os problemas sociais e psicológicos: isolamento, perda de emprego, perda da família e dos amigos, violência, delinquência.
No entanto, ambas as drogas se confundem no que diz respeito ao sofrimento e a dor. O grande perigo da sua difusão está também no fato de que ela é mais barata e mais potente do que o crack. Como o efeito eufórico é muito rápido, em torno de 5 minutos, a necessidade de mais droga para aliviar a abstinência é maior. Com isso a dependência se instala em pouco tempo e a dificuldade de tratamento aumenta.
Mais uma vez somos levados a repensar nossa sociedade moderna, globalizada que privilegia poder, bens materiais, quantidade ao invés de qualidade, onde o tempo parece acelerar: vale o imediato, o pronto, o descartável. Com isso, a capacidade de tolerância à frustração vai se afunilando e gerando rápidas substituições.
Os sonhos deixam de se transformar em projetos a serem conquistados e os desejos passam a exigir recompensas imediatas.
Em meio a tanta tragédia, o usuário e seus familiares precisam buscar informação fidedigna, apoio especializado multidisciplinar para conseguir sucesso no tratamento da dependência química.
Psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, nutricionistas e clínicos precisam estar alinhados e preparados para oferecer um tratamento eficaz e de qualidade.
Como é um tratamento longo, recaídas fazem parte do processo e não devem ser encaradas como fracasso. O investimento do dependente e de sua família é grande, tanto financeiro quanto afetivo. Mas se colhem frutos a médio e longo prazo.
Aos poucos, o dependente vai reaprendendo a ter prazer pelas coisas simples e concretas de sua vida: o círculo familiar, os amigos, o trabalho e vai buscando transformar as frustrações do dia-a-dia em motivações para novas conquistas.
Aos que tem a coragem de não desistir e confiar em si e no seu futuro; Parabéns nesse árduo e doloroso caminho em busca de uma felicidade mais duradoura.
Luciana Lamarca
